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 diário de um morto 3
 O Mundo por Detrás do Mundo





Diário de Um Morto 4


Feliz ano qualquer ano!

Sem mal nenhum,

mesmo assim o corpo quer tremer

Por entre suas ruas de terra

 

Por onde gritam os motores

Agora gritamos também

Por cinco segundos a cada trinta minutos

 

Todos os dias que restam

Restou tão só a ilusão da surdes

Pelo rosto sem face de todos que gritamos

 

Podemos mudar de rua

Continuam, os mesmos amarelos.

Os sorrisos sem gosto

 

 

Agora; doze “pras” dez.

Mais um ronco dos estômagos

Que não cala por cinco segundos, o mundo.

 

Por causa de que a lua caiu no fim do mundo

E por quem “que” o sol saiu pra profunda e escura parte

Da rua qualquer rua que não tenha lua

 

Isso é bom de ver

Na escura luz que emana da rua

Os grunhidos nossos balbuciando, nossa!  

 

Bom agrado para o eco de quem era mudo

E agora aprendeu a ter que gritar

Só pra si sentir menos só na sua própria rua.

 

Nossa única rua que vai de encontro

Nada encontra e vai ao fundo

No fim do ano, ano que vem.

 

De repente nem o fim nos reste

Nem uma rápida rua a percorrer

Se... por acaso uma rua tiver.

 



Escrito por Felipe Z. às 10h14
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Receita para poema

Receita para poema

 

-Dez minutos para sempre

-Noventa e duas palavras para poemas

-Um par de olhos que queiram olhar

-Cinco mililitros de tinta para caneta

-Três gramas de papel em branco

-Um gramado seco como jardim

-Duas cortinas entre abertas na janela

-Uma janela fechada

-Um dia inteiro de chuva

-Uma pitada de inspiração

-Nenhum endereço certo

-Uma pessoa, uma mesa

-Duas mãos

-Uma para escrever

-Outra para apoiar a cabeça

-Milhares de pensamentos

-Uma idéia

-Vinte e um parágrafos

-Misture tudo isso na mente

Obtenha um poema

Um alívio mental

 



Escrito por Felipe Z. às 14h50
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Olhando o mundo como um corpo.

Sendo que sejamos células distintas;

Prótons e nêutrons em constância;

Olhando o mundo como um corpo.

 

Por certo satisfazemos nossa cadeia evolutiva;

Porem estamos cadeirantes na genealogia;

Apáticos, mais gerando atrito.

 

Ao certo pessoas conflitantes, como corpos e anticorpos;

Numa simples batalha simples;

Viver pra ocupar e ou morrer e deixar vago.

 

Seria se existe um deus?

Um ser descuidado de alma faminta;

Que não pode enxergar seu âmago?

 

E se por acaso vê, não sendo “medicinado”;

Também vive a mercê da sua própria existência;

De estar saudável e sentir-se doente.

 

Olhando-nos da frente para trás;

Aonde vimos algo que sempre fora são?

O que não provou os dois lados da maçã?

 

Nem homens mitológicos;

Ou que são feitos sem matéria;

Nunca houve alguma coisa cem por cento!

 

Não poderia falar dos são sem saber como é!

Nem os poetas mais indulgentes poderiam;

Ignorar a trama da perfeição.

 

Sendo assim, as células dos nossos corpos;

Supondo que elas pensem;

Acham-nos péssimos mundos.

 

De certo as minhas agem contra mim;

E eu por minha vez,

Ajo contra o mundo mesmo sem querer.

 

Aqui no fim do raciocino;

Que mau mundo sou eu para com minhas células;

Que mal lhes conte, que mau células temos sido.

 



Escrito por Felipe Z. às 10h14
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Poeta engarrafado

Poeta engarrafado

 

O sono chegou e os olhos fecharam

Fechando também a circulação do raciocínio

O sonho foi se afogando rápido

No mar o perigo boiava sem rumo, sem pressa

 

Simples o substantivo medo

Se misturava com os corpos mortos e os copos vazios

Que se banhavam no sol incandescente

Enquanto o fogo lambia as ondas

 

Lambia também os dedos o poeta

Pra contar as notas e os recados deixados

Que estavam presas nos corpos flácidos

Dentro de garrafas descartáveis

 

Descartadas por quem se abandona

A própria sorte da situação

A indiscrição de entrar e molhar só a ponta dos pés 

Não é a mesma de se afogar

 

O poeta continua prostrado

Desligado na beira do mar

Vendo os corpos pra lá e pra cá

Paciente pra se afogar

 

Também quer ser um recado

Perdido pra ser encontrado

Querendo sentir o fogo da água

Pra saber do perigo do mar

 



Escrito por Felipe Z. às 10h40
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Vento da minha princesa.

A vida acabou de mudar, de novo.

Acabei chegando a voltar.

Para um mundo de novo endereço.

 

Agora também que o vento soprou.

Um vendaval me trouxe por prazer.

A poeira em um par e olhos brancos.

 

Ainda veio me mostrar mais de uma vez

Como a canção pode me soar bem.

Quando o vento traz ou leva tragédia.

 

Ou só mesmo a poeira pela madrugada.

Na rua escura e vazia nem os vira-latas.

Nada de noite enluarada.

 

Agora que até eu me perdi.

Dentro desses seus olhos “verdes-marrons”

Perdidos nesse milhão de fios de cabelos.

 

O recado chegou a um ponto diferente.

Que não dá pra não entender.

Nem quero fingir que não é.

 

Se até meus cegos olhos enxergam.

Que o vento dessa vez falou tão alto.

Que te fez com silencio ensurdecer.

 

Que eu sou aquilo que quis.

Quando não tinha mais nada pra fazer

Por ai.

(privada entupida)

 



Escrito por Felipe Z. às 10h22
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Idas Vindas e VIDAS

Cheguei a estar em varias dimensões

Todas oportunas ao que tinha combinado comigo mesmo

Antes de descer ou subir

Nunca me importou, a esfera que me encontrava.

 

Enquanto estava “lá” provavelmente sentado

Assistindo as peripécias alheias desse mundo

Antes de criar a vontade de vir a voltar

Ou a chegar de primeira, não importa.

 

Via e ouvia inúmeras besteiras e loucuras

Tais foram tantas repetições

Que eu mesmo criei vontade de repeti-las

Tanto que vou

 

Algumas dessas coisas com outras sem

Intuito premeditado de sentir

 

A força que mantenho por alguns tempos

Lá onde estou sentado comigo

É completa, tanto que me faz falta a falta

Ainda mais porque não existe porque.

 

Passando tempos assistindo a infinidade

Muitas luas e sois vi

Eles também nasciam e morriam diferentes

Dia após dia, se pode se chamar a esse período de “dia”

 

Ri-me tanto que morri minha morte

Se isso é morte coisa que não criei

Já esta em tempo de chorar a forma humana

De estar em real, qualquer forma concreta

 

O todo completo me parece faltoso

Me sinto com saudade da falta

Prefiro sentir que me falta

Pra me sentir completo

 



Escrito por Felipe Z. às 16h13
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Olhos do poeta

Legal

Quando o compasso do pensamento arder meus olhos

É hora de parar para avaliar melhor quem sou e se sou

Das condições únicas que são passageiras, os caminhos

 

Passado e futuro são gêmeos distintos

Sem sentido, nem cor nem cheiro, só são e sempre serão

Também comigo acontece assim, só sou.

 

Perdido em um mar de palavras

Letras que desconfortam meus pulsos

Não quero e elas teimam em sair, desgovernadas

 

Eu perdido atrás de alguma rima

Que rime comigo ou com que sinto

Mais apenas quero escrever

 

Mais o quê tem haver?

Escrever, querer, rimar?

O ritmo que sai o pensamento é louco.

 

Não é lento e chega a barrar a coerência

Do humilde raciocínio que trás

E eleva a amarga duvida

 

Será inútil alguma linha

Seria útil a tal da duvida

Me trará conforto expeli-la

 

A preocupação em amadurece-las é interessante?

Ou melhor deixar que ela simples e leve saia

Por dentre nós, eu e a caneta.

 

Agora que meus olhos ardem graças a fumaça

E o meu pequeno rascunho acaba

Penso que sim e só agora concluo

 

Foi bom criar algo que realmente exista

Que seja uma duvida!

Que seja alguma coisa livre.

 



Escrito por Felipe Z. às 16h17
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Sem nome, Não sem vida.

esquecido sentado no meio fio

Contando as cores dos carros

Que passam disparados

Comparando a deslealdade de sua forma

 

Ele tem algumas moedas

Bem menos que um conto

Pra comprar o remédio do frio da solidão

Logo mais, quando os bares abrirem.

 

Vai se levantando do chão

Cambaleante deixando cair à pressão

Vai sorrir pra um que esta passando

Estendendo a mão, esperando que pingue compaixão.

 

Uma boa gota de pena e uma dose

Pra que não seque sua boca

Antes da morte do dia

Que nem parece lhe ser digno

 

Olha com olhar furtivo

Para quem finge não o ver

Mais também sorri amarelo

Pra pena que o acoberta nas noites frias

 

Não é um cão por que sabe pedir

Mais se revira no lixo

Sem saber o que quer encontrar

E se quer mesmo encontrar

 

Mais até quem pensa que não sabe pensar

Sabe chorar os dias que chovem

Lembram de olhar para sombra

E esperar o sol pra secar

 



Escrito por Felipe Z. às 10h57
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Escrito por Felipe Z. às 16h28
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De Olga, para Olga...

Se ela me visse naquelas condições

Realmente imagino o que ela diria

É provável que ficasse pálida e assustada

Mais mesmo daquele jeito insensato

 

Com os pulsos e garganta cortados

Cuspindo um pouco de sangue

Pelo canto da boca,

Que a muito não canta nada

 

Apenas não queria ser vista por ela

Tendo medo que achasse ser por sua culpa

Quando eu somente queria experimentar

Um novo tipo de sensação,

 

Uma dor tão insignificante

Todos podem achar que é egoísmo

Mais não foi por falta de respostas

Ou excesso de frustração

 

Simplesmente curiosidade

Só vejo que pequei agora

Em ter me deixa a encontrar

Provavelmente por quem não irá entender

 

Podia mesmo ter sido mais sutil

Escondendo meu corpo ainda com vida

Já que o motivo não era ser encontrado

Mais sim encontrar uma nova razão

 

O sangue pinga lento

Escorre pra debaixo da cama

Podia ter feito logo no chão

Mais nessa hora até procurei conforto

 

Pra chamar a morte lenta

Que me levou alguns minutos

Pra achar que era, só era

Nem certo ou errado

 

Mais agora antes da provável hora

Sinto saudade e pena da Olga

Pensei muito, mais esqueci de escrever

Pelo menos um adeus, obrigado

 

É provável que volto logo

Ou só me acabe junto com pensamentos

Me sinto leve e quase adormecida

A dor nem dói tanto no afinal de contas

 



Escrito por Felipe Z. às 16h15
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Algumas horas no deserto

Deserto,

Esse é meu coração

Também meu corpo árido e seco

 

Quem disse um oásis

Nem somente cobras e escorpiões

Conheço até agora alguns camelos sedentos

 

Que marcam minhas areias

Com suas pegadas fundas e marcantes

Que somem a qualquer brisa

 

Revelando minha futilidade

De tudo igual

Que só as miragens se diferem

 

Ferem e matam

Viajantes desavisados

Que esquecem de não gastar nem o suor

 

Os corpos que morrem caídos sobre mim

Trato logo de encobri-los

Para nunca além de agora lembra-lhes

 

E as dunas que comigo andam

Para melhor nos perdemos

E escondermos nossa trajetória

 

Fazem partes da minha miragem

Que confunde minha existência

Entre ser um deserto ou uma ilusão

 



Escrito por Felipe Z. às 10h26
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Se eu estivesse a andar em nuvens.

Se eu estivesse longe

E eu quisesse voltar

Pra onde mais iria

Sem sair do lugar

 

Aonde o sol se pôs

E eu não posso ver o mar

Dessas altas montanhas

Que nelas sempre, nunca fui estar

 

Ao chegar por aqui

Vendo se é real, vendo-me

A preocupação mais feroz

A minha parece tão banal

 

Quando eu quis enxergar

Por detrás da minha vista

Meus olhos saltaram fora

Tanto que eu não pude respirar

 

Ao sonhar por ai

Vi muita gente morta passear

Vi mortos mais vivos que muitos

Contei mais do que eu posso contar

 

E eles também só queriam

Sonhar que podiam voltar

Passeando perdidos em pesadelos

Nas noites frias eles queriam se acordar

 

E pensar pra ondee como é que se foi

Quando aqui não podiam estar

Sentados naquela montanha

Com os pés molhados no mar

Ensurdecidos por uma luz

Que saía de um só lugar

Dá porta do mundo

Do mundo do sonho.

 

 



Escrito por Felipe Z. às 14h01
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Espinho cervical

Não quero ser você

Mesmo que seja tão bonito

Não quero saber nem mesmo a resposta certa

 

Nem, quem sabe arrancar a rosa.

Para dar-te ela

Prefiro partir seu coração

 

Numa canção não seria possível

Não sei tocar, nem cantar.

Prefiro literalmente mentir

 

Prefiro as rimas incertas do destino

Que não passam de falsas verdades

Que abreviam algumas dores

 

Não serei sempre certo

Não quero ser só errado

Gosto da mistura das cores

 

Mais só em telas de vidro

O aspecto sempre mais vivo

De uma morte sem nem um grito

 

Mesmo que o jardim seja grande, verde e bonito.

As rosas não existem sem espinhos

Um belo adorno pra dor

 

De sempre ser incompreendido

Até mesmo a face do autor

Permanece presa ao vazio

 

Que existe desesperado

Esperando ser compreendido

Quem sabe um dia completado

 

Como um vazo vazio

Esperando da terra

Mesmo que só o sabor do espinho...

 



Escrito por Felipe Z. às 10h28
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O tempo, meu sonho, e a resposta da lua...

De novo o tempo

Face a face com a ampulheta

Me distrai na hora certa

 

Disse que era em vão

Ficar olhando para o céu esperando resposta

Me enganei de novo

 

Não é que dessa vez veio mesmo

Um céu cheio de estrelas

Que formavam letras e constelações

 

Quem diria que uma delas cairia

Bem na palma da minha mão

Ainda a lua que parece uma enorme boca

 

Me disse sem nenhum pudor

Sem nenhuma frase sem nenhuma sugestão

Sobre o gosto que sentia ao me sentir sozinho

 

Meu filho você esta dormindo

Procurando ficar acordado

Então pare com os dados

 

Olhei com calma

E notei a relação

Entre sozinho e cercado por milhões

 

São estrelas, mais não sou uma delas

Também são, mais só ilusões

Acabo de voltar todos ciclos

 

Sempre ao mesmo lugar

E até eu do tamanho de um mundo

Espero por meu dia de acabar

 

No meu vasto escuro que ilumino muito pouco

Assim você no seu pequeno rumo

Se perde muito menos

 

Não espere por mim

Não diga que sou sua

Não vou iluminar seus passos

 

Nem de ninguém que me ache

Junto a um sol, que me aquece e me esquece

Apenas apareço pra completar um espaço

 

Assim são vocês

E até isso que chamam de eu

Feras indomadas e ainda por muito incompletas...

 



Escrito por Felipe Z. às 11h29
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Seremos capazes de entender?

cerebro

Será que já paramos pra pensar?

O que seria da verdade,

Se não tivesse o que mentir

 

Já paramos pra assistir

Muitos corações partindo

Pra varias direções iguais

 

Já não temos tempo pra entender

O que são as pedras no caminho

Será melhor fechar os olhos,

E gostar de tropeçar

 

O que achamos da rotina

Que nos leva ao dia-dia

De comerciais ridículos,

Que teimamos em assistir

 

Sempre certo que não há um super-homem.

Que ninguém pode nos salvar

Nem jogar um bote salva-vidas

Pra quem gosta de se afogar na própria vida

 

 As vezes simplesmente não dá...



Escrito por Felipe Z. às 12h09
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